sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Rock in Rio

Como hoje começa a quarta edição do Rock in Rio aqui no Brasil (10ª edição, se contarmos as outras feitas durante os anos 2000 em Portugal e na Espanha), nada melhor do que fazer uma singela homenagem a um dos maiores festivais de música do planeta.


Infelizmente não pude ir nesta edição, mas espero que dê para ir na próxima, prevista para o ano de 2013.

Como destaques neste ano temos as seguintes bandas (em minha opinião, claro): Metallica, Motörhead, Jamiroquai, Red Hot Chilli Peppers e Guns n' Roses.

O problema, vejo eu, é que o festival deixou de ser voltado apenas ao público roqueiro, passando a abranger outros estilos, sobretudo o Pop - por questões comerciais, óbvio. Por isso, é comum vermos muitas porcarias se apresentando, como, por exemplo, Sandy e Júnior e Britney Spears em 2001 e, neste ano, Claudia Leite, Rihanna, Ivete Sangalo, além de outras merdas do gênero.

Mas, apesar disso, vale - e muito - a pena se enfiar em um busão e ir até o Rio de Janeiro para, além de assistir ao festival, dar uma passada na praia, tirar uma foto com o Drummond e, claro, tomar um chope de Delirium Tremens no Delirium Café, de Ipanema.

Voltando ao festival... Não querendo ser saudosista, mas acredito que dificilmente um festival tenha sido melhor que a primeira edição do festival, de 1985.

Digo isso pelo fato de ter vindo um grande número de bandas que eu particularmente curto - e muito - e, ainda mais, em grande parte no auge de suas carreiras.

Cito Queen, AC/DC, Ozzy Osbourne (na turnê do "Bark at the Moon", com o Jake E. Lee na guitarra), Scorpions (na turnê do "Love at First Sting" - o melhor disco da banda), Yes (na turnê do "90125"), Whitesnake (com Cozy Powell na bateria e John Sykes na guitarra) e, claro) o Iron Maiden na melhor fase de sua carreira, logo após o lançamento do "Powerslave".

Queen na edição de 1985


Na segunda edição, de 1991, houve uma ligeira queda na qualidade dos grupos, valendo destaque os seguintes: Guns n' Roses (no auge, após lançarem os clássicos "Use Your Illusion" I e II), Queensryche (na turnê do disco "Empire") e Judas Priest (na turnê do "Painkiller").

Por fim, na terceira edição, há dez anos, o único destaque vai para o Iron Maiden, que gravou um excelente disco ao vivo, destruidor. Nem digo nada a respeito do Guns n' Roses pois a banda não sequer contava com Slash e cia., apenas com Axl Rose nos vocais.

Nada melhor do que terminar esse post com alguns vídeos do festival, meticulosamente escolhidos por mim (algumas coisas clássicas, como Queen e Ac/Dc vão ficar de fora - quis escolher algumas músicas de outras bandas não tão manjadas atualmente, que também são fodas).

Aos que vão (foram) ao Rio ver os show, espero que aproveitem bastante, pois chances de se presenciar um festival de tal magnitude são poucas.

Espero que vocês curtam essa avalanche de bons sons.

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Scorpions, tocando "Bad Boys Running Wild".

http://www.youtube.com/watch?v=VczHSzeH7TM  

Ozzy Osbourne, com o Jake E. Lee na guitarra mandando muito bem, não devendo nada em relação ao falecido mestre Randy Rhoads, em "Flying High Again".

http://www.youtube.com/watch?v=CVKank3iUJI

Whitesnake, tocando "Crying in the Rain" na versão que viria a ser lançada no excelente album "1987".

http://www.youtube.com/watch?v=s8N864UoJMI 

Yes, com o clássico "Roundabound". Não preciso comentar nada. A competência dos organizadores em trazer uma banda dessa qualidade foi digna de aplausos.

http://www.youtube.com/watch?v=OudJKwdZmnk 

Iron Maiden, abrindo o show com "Aces High". Só que já viu ao vivo sabe a emoção de assistir a essa grande banda. Melhor ainda deve ter sido estar aí, nessa galera.

http://www.youtube.com/watch?src_vid=xHOkBN9bR_Q&feature=iv&v=2zd3EhikqCc&annotation_id=annotation_443

Judas Priest tocando "Painkiller". Não precisa de mais nada. Hoje não imagino isso tocando na Globo. Definitivamente, não mesmo.

http://www.youtube.com/watch?v=l1slEeEZ9QY  

Queensrÿche executando "Best I Can", com o Geoff Tate em forma, mostrando por que já foi uma dos melhores vocalistas de metal. 

http://www.youtube.com/watch?v=xVIIjE3e9jA  

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Carlos Drummond de Andrade

Copacabana
Delirium Café - Ipanema

sábado, 17 de setembro de 2011

Journey - ECL1P53

Abrindo a seção de resenhas de discos aqui do blog, não teria por que não iniciar com um da banda que mais gosto, por isso, começamos com o mais novo álbum do Journey, "Eclipse".

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"Eclipse" é um disco que nenhuma banda nova, recente - com menos de 20 anos - conseguiria fazer. Isso é fato.

O grau de maturidade das composições e, principalmente, da execução das faixas é algo impressionante. Para quem esperava algo na mesma linha do "Revelation", de 2008, seguindo uma algo mais convencional ao que a banda já estava acostumada a fazer, disco esse que marcou a estréia do filipino Arnel Piñeda - encontrado pela banda no Youtube, em um cover de "Faithfully" - nos vocais, sucedendo o mestre Jeff Scott Soto, enganou-se.


O disco segue o mesmo raciocínio apresentado em “Trial By Fire”, diferente, com composições diferentes. Uma abordagem mais experimental, conceitual dentro da proposta da banda. Quando vi, antes mesmo de vazarem músicas e tal, que o disco teria a mesma sistemática do clássico de 1996, animei-me. 

O que temos é um disco completamente diferente do que já foi produzido pela banda, soando pesado - e muito -, sem muitas baladas (o que é marca fundamental nos discos a partir dos anos 80) e com bastante ênfase nas linhas de guitarra do Neal Schon, que nos brinda com sua melhor performance técnica da carreira, sem dúvidas. Vale destacar também a presença de canções longas, sem aquela fórmula batida "Intro-Canto-Refrão-Canto-Refrão-Solo-Refrão", com muitos temas, solos e refrães marcantes - além, claro, da retomada de sonoridades já produzidas, valendo lembrar, todavia, que nesse caso trata-se de sons mais "lado b" da banda.

O já mencionado Arnel Piñeda, bastante criticado pelos fãs - inclusive por mim -, sendo considerado "fraco", "uma tentativa de cópia do Steve Perry" etc., nos mostra uma performance matadora, cantando muito, mesmo, digna de calar a boca de quem dizia que o rapaz não sabia cantar. Tal constatação ocorreu pelo fato de nesse disco as músicas terem sido feitas especificamente para seu timbre e alcance vocal - algo diferente de apenas interpretar canções feitas na voz de outro sujeito.

Seguindo a análise "por músico", Ross Valory apresenta um baixo extremamente pesado - dado que passou a utilizar os famosos "bongôs" da Music Man -, firme, sempre junto às linhas de bateria do Castronovo. O tecladista Jonathan Cain, no disco, não escreve muitas músicas e seu teclado aparece de forma muito discreta, diferente ao que estamos acostumados em observar em "Separate Ways", mas fundamental - além disso, vale dizer que ele está tocando guitarra em muitas faixas, inclusive ao vivo. As linhas de batera do Deen estão "sem firulas", firmes, com batida forte e bem marcada, fazendo a "cozinha" de peso juntamente com o Ross, para que Schon simplesmente destrua tudo. Com relação a este último, apenas digo que seus timbres de guitarra estão matadores, muito bem produzidos (como o disco todo, evidentemente), aliados à sua técnica - em breve farei um post sobre o set-up desse grande guitarrista

O disco foi lançado em edição simples e deluxe: primeira vem apenas com o CD, não em uma caixa de acrílico, mas sim e papelão, com um belo acabamento; já a edição deluxe se trata de um Box que contém o CD, dois LPs e fotos da banda. Uma bela edição, feita para quem gosta de comprar os discos – como eu. Acredito que essas edições especiais são uma forma de as gravadoras não perderem o público fiel nesses tempos de downloads e tal... 

Versão Japonesa Simples

Box Deluxe
 
Vamos dar uma passada "track by track" pelo disco.

"City of Hope" abre o album com uma sonoridade bastante familiar, com os riffs de guitarra e os vocais dominando. No final - algo diferente na história da banda - a música dá uma acelerada, comandada pelo Castronovo. Ótima música. "Edge of the Moment" abre com um riff destruidor, pesado e sombrio - aliás, essa é a sonoridade da música por inteira, que nos brinda com um belo refrão. "Chain of Love", em minha opinião, é a melhor música do disco. Ela começa com um teclado orquestrado, sombrio e segue com um riff brutal - nunca tinha ouvido uma entrada de guitarra tão pesada em nenhum outro disco da banda -, além, claro de um belo refrão: melódico e pegajoso. Em seguida temos "Tantra", a primeira balada do disco, muita gente pode achá-la brega e coisas do tipo, mas, com certeza, é uma das melhores baladas lançadas nos últimos 3 - 4 discos. Ela começa apenas com Cain e Arnel, que segue bastante melódico, e depois temos a entrada da banda toda, dando forma e coesão à música. Uma bela faixa, com certeza.

Enquanto as quatro primeiras músicas foram destruidoras cada uma a sua maneira, em "Anything is Possible" temos um AOR clássico, mais chegada aos padrões do estilo. Uma faixa bem legal, mostrando que os mestres do AOR também sabem fazer o "arroz com feijão". Em seguida somos brindados com "Resonate", outra grande música do disco: bastante próxima ao apresentado no início do disco, sombria, pesada e com um excelente refrão. O solo do Neal Schon nessa música, assim como em todo o disco, está matador, mostrando a competência de anos, sempre fiel ao seu já consolidado estilo: bends, pentatônicas, alavancadas...

Chegamos à metade do album. É aí que a coisa começa a mudar de figura.

De fato, há uma queda na qualidade das música em comparação ao apresentado até então, mas - defendo - isso se deu pelo fato de as 3 primeiras abrirem o disco de forma diferente ao que já tinha se ouvido nos outros álbuns e a expectativa de se ver composições nesse nível se mantém pelo restante da audição.

Mas isso, de forma alguma, compromete a qualidade do disco.

Temos logo em seguida "She's a Mystery", uma longa canção (7 minutos) feita no violão, inicialmente com ele sozinho, mas depois com acompanhamento da banda, dando uma sonoridade bem setentista, que remete aos discos "Infinity", "Evolution" e "Departure". Essa música não possui um grande refrão. É diferente do AOR que a banda está acostumada a fazer. Uma faixa boa, que cresce ao final e termina com outro belo solo do mestre Schon. Continuando temos "Human Feel" - o grande momento dessa segunda parte do disco - que segue com uma levada meio tribal feita pelo Deen e um riff legal. É uma canção longa, agitada e possui um grande refrão, seguindo também uma linha mais setentista, menos radiofônica.

Em seguida temos "Ritual". Não gosto dela, serve apenas para encher linguiça. Apesar da minha opinião, é um hard rock melódico legal, rápido, com uma quebra no meio da música interessante e só. Com "To Whom It May Concern" somos apresentados a outra bela balada, com outra bela interpretação do Arnel Piñeda e um tema bonito feito pela guitarra, que segue pela música. A penúltima música, "Someone" é um som muito bem feito, bastante próximo ao que a banda fez no "Revelation" e no "Arrival", e que tem um refrão contagiante, melódico. Bela música. Por fim, temos "Venus", uma faixa instrumental, com orquestra, em que o Neal Schon rouba a cena. É uma continuação de "To Whom It May Concern", que se tivessem sido colocadas juntas, daria um épico de 9 minutos.

Com certeza esse é um grande disco, um dos melhores e mais complexos já feitos pela banda, pois, apesar de ter uma queda no estilo das músicas a partir da segunda metade, abrange composições mais pesadas e sombrias, baladas já conhecidas, os típicos AOR's e há também uma retomada em alguns trechos à sonoridade típica do fial dos anos setenta, antes do lançamento dos clásiscos "Escape", "Frontiers" etc.

Coloco esse album como o melhor do ano dentro da categoria AOR, pois vai contra a maré do que está acontecendo no estilo - os mais recentes lançamentos não nos acrescenta nada de mais, soando extremamente parecidos uns com os outros, seja em relação a bandas novas ou às clássicas. E o Journey -  a melhor banda do gênero, mesmo tendo uma carreira consolidada e motivos de sobra para se acomodar, não se limita a lançar apenas coletâneas ou meras tentativas de reproduzir os tempos áureos da carreira. Isso é bastante válido e deve ser levado em conta na avaliação do disco.

Acredito que "Eclipse" veio para figurar no mesmo patamar de "Escape" e "Frontiers", com certeza. Essa minha opinião só poderá ser confirmada com o passar dos anos, e espero que seja.

Finalizando estas linhas, fomos brindados com aproximadamente 60 minutos de excelente música, para calar a boca daqueles (muitos) que dizem não ser mais feita música de qualidade atualmente, feita por uma das bandas mais competentes de todos os tempos - não é a toa que os caras ainda estão na ativa, firme e fortes. Espero que eles não parem de lançar disco nem de sair em turnê, pois a mesma qualidade que ouvimos nos discos, vemos ao vivo.